Dra Samilla Psiquiatra

Alterações da atenção e concentração têm várias causas, entre elas o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, mais conhecido como TDAH. Conheça 07 sintomas comuns em quem possui esse diagnóstico.

Qual profissional consegue diagnosticar o TDAH?

O médico psiquiatra é o profissional adequado para diagnosticar e tratar o TDAH.

Dra. Samilla Sousa é médica pela Universidade Estadual da Bahia.

Após os 06 anos da faculdade de medicina, para se tornar psiquiatra, ela realizou mais 03 anos ininterruptos de especialização intensiva, com carga horária prática e teórica de mais de 60h semanais – a chamada residência médica.

O psiquiatra é o médico que diagnostica e trata o TDAH.

Durante esse período obteve grande experiência nos mais diversos casos de queixas de concentração e memória, nos mais variáveis períodos da vida dos pacientes.

Além dos atendimentos, a especialização contou com estudos teóricos, apresentações em congressos e leitura dos artigos científicos mais atualizados sobre os casos dos pacientes.

Também realizou estágios extracurriculares no Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo e no Hospital das Clínicas da Universidade Federal da Bahia, para maior aprimoramento dos conhecimentos.

Atualmente atua como médica psiquiatra presencialmente na cidade de Salvador (BA) e por telemedicina para todo o Brasil.

O que é atenção?

Existem vários tipos de atenção, mas se você encontrou esse artigo, provavelmente quer saber sobre a atenção ativa e a atenção espontânea.

A atenção ativa é um esforço que fazemos conscientemente e intencionalmente para um objetivo ou atividade. Ela aparece por exemplo quando pegamos um livro para ler.

Já atenção espontânea é uma reação automática do indivíduo quando aparece um estímulo. Ela aparece quando você estava lendo e alguém toca a campainha e você desvia sua atenção para atender a porta.

Várias coisas podem afetar a atenção e concentração, entre elas o TDAH

O que é concentração?

A concentração é a nossa capacidade de manter a nossa atenção ativa! O que vai determinar se conseguimos nos manter atentos ao livro por 5 ou 50 minutos!

A atenção pode ser móvel, quando a gente bebe um cafezinho entre uma página e outra e consegue retomar para onde você estava lendo, mantendo a atenção ativa. Chamamos isso de mobilidade da atenção.

Quando existe uma diminuição da atenção, no geral não conseguimos nos concentrar por muito tempo ou precisamos de estímulos maiores para mantê-la (ou seja, para nos concentrar).

O que pode afetar a atenção e a concentração?

Nossa atenção pode aumentar ou diminuir sem que necessariamente isso seja um transtorno.

Já reparou que se você tenta ler algo quando está ficando com sono começa a ficar cada vez mais difícil se manter atento? E que às vezes você precisa até aumentar o estímulo? Ligar a luz, se endireitar na cadeira, aumentar a letra do artigo do computador…

Sono, tédio e cansaço influenciam na nossa atenção sem que isso seja necessariamente um problema! Nossos interesses, motivação e gostos também: ler um livro que achamos interessante pode inclusive nos fazer “perder a noção de tempo”, por que fazemos um estreitamento dessa atenção.

O TDAH pode afetar sua concentração e atenção.

Como nos concentramos?

Temos várias áreas do cérebro que interagem entre si para conseguirmos nos concentrar. Vou trazer aqui as principais delas!

  1. Tronco cerebral: primeiramente, precisamos estar acordados! Nessa região temos as áreas que fazem a gente dormir, acordar, e estar vigilante para o estímulo!
  2. Sistema límbico: esse é o sistema que tem relação com afeto e emoções. Já percebeu que quando estamos motivados ou gostamos de uma atividade nos concentramos melhor nela? É por causa do sistema límbico.
  3. Córtex: essa é a parte que todo mundo conhece por “massa cinzenta”. É essa a parte que nos faz tomar decisões, escolher entre o certo e errado, planejar uma tarefa, controlar os impulsos e manter a atenção.
O TDAH é uma das causas de prejuízo para a concentração.

Como essas áreas se conectam?

Nosso cérebro é formado por células que chamamos de neurônios que se conectam entre si. Temos as substâncias responsáveis pela transmissão de mensagens entre os neurônios, que são os neurotransmissores.

Os dois mais importantes para a atenção e concentração são a noradrenalina e a dopamina. Elas precisam estar reguladas para que possamos nos manter atentos a uma tarefa e ignorar os estímulos que podem nos distrair.

Quais diagnósticos além do TDAH podem ter falta de atenção e concentração?

Pelo menos 10 diagnósticos na psiquiatria podem ter falta de atenção e concentração. Por isso é importante procurar ajuda profissional: apenas um sintoma não define um diagnóstico!

É preciso observar outros sintomas e também o contexto do paciente. Alguns dos diagnósticos que cursam com falta de atenção e concentração são:

  1. Transtornos de ansiedade
  2. Depressão
  3. Distúrbios do sono
  4. Transtornos de Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH?

Como a ansiedade influencia na concentração?

Na ansiedade existe o sentimento de medo e preocupação. Ou seja, nosso cérebro fica bastante vigilante pois se prepara para lutar ou fugir de um cenário ameaçador.

Para se preparar, existe um aumento de noradrenalina e adrenalina. Isso causa todos aqueles sintomas da ansiedade: palpitação, tremores, suor…

Como estamos prestando muita atenção no futuro – e nos cenários catastróficos que a ansiedade faz a gente pensar – é bastante difícil se concentrar no aqui e agora, e por isso podem ocorrer sintomas cognitivos, como a dificuldade de concentração, esquecimentos e dificuldade de memorização.

Sintomas ansiosos podem ser muito parecidos com TDAH.

A depressão pode estar afetando sua concentração

Na depressão existe muita dificuldade em sentir prazer e alegria, além de problemas para iniciar as atividades e se manter motivado. Dessa forma é difícil manter o interesse por algo, e portanto, mais difícil prestar atenção e se concentrar.

Com muita frequência os quadros depressivos possuem o chamado estreitamento da atenção: a pessoa só consegue prestar atenção no lado negativo das coisas, e fica bastante focada nos pensamentos de fracasso e culpa.

A depressão pode ter sintomas parecidos com o TDAH.

Distúrbios de sono podem te deixar distraído

Já observamos que a sonolência é um dos fatores que influenciam a nossa atenção e concentração. Se não conseguimos ficar acordados, ou, se mesmo acordados nos sentimos cansados, é mais difícil sustentar a atenção em uma atividade.

Insônia e outros distúrbios do sono provocam essa dificuldade em ficar alerta. Além disso, atrapalham a memorização das tarefas – pois precisamos de um sono restaurador para aprender novas coisas e guardar informações. Até pode confundir com um TDAH!

Queixas de esquecimento e dificuldade de concentração são comuns em pessoas que dormem mal e o ajuste do sono precisa fazer parte do tratamento dessas queixas.

Distúrbios de sono podem se confundir com TDAH.

O que é o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH?

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um distúrbio do funcionamento principalmente do córtex pré-frontal do cérebro (volte lá para cima para entender melhor).

Essa é a área relacionada com controle dos impulsos, concentração, planejamento e execução de tarefas. No TDAH, os neurotransmissores que ativam e inativam essa área do cérebro (a noradrenalina e a dopamina) estão desregulados.

Por causa disso, existe uma dificuldade de manter a atenção naquela atividade e também de não se distrair quando aparece um outro estímulo (barulho ou ruído por exemplo).

Como o córtex pré-frontal está relacionado com outras funções além da concentração, a sua desregulação pode se manifestar com outros sintomas do TDAH.

O que é o TDAH?

7 sinais de que você pode ter TDAH

  1. Dificuldade de esperar, “querer tudo para a hora”
  2. Atitudes impulsivas, “fazer sem pensar”
  3. Dificuldades de planejar as tarefas, “querer fazer várias coisas ao mesmo tempo”
  4. Dificuldade de ficar parado ou sentado por muito tempo
  5. Dificuldades de se lembrar onde guardou objetos
  6. Se distrair facilmente com com ruídos ou barulhos durante uma atividade
  7. Se esquecer de compromissos e datas importantes

Quando se trata de TDAH esses sintomas precisam estar presentes em mais de um ambiente da vida (casa, trabalho, faculdade, etc.) e trazer prejuízos para a pessoa.

Existem outros sintomas que podem fazer parte do quadro clínico e que nem sempre são muito comentados, tais como a dificuldade de regular as emoções, comprometimento da coordenação motora e dificuldades de orientação/localização.

Se esquecer de compromissos e datas importantes é um dos sintomas do TDAH.

Existe tratamento para o TDAH?

Sim! Dentro do tratamento do TDAH precisamos primeiramente auxiliar o paciente a entender o seu diagnóstico e funcionamento cerebral e a partir disso, estabelecer melhores estratégias para se organizar e resolver problemas.

A psicoterapia – principalmente a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) – auxilia o paciente nesse processo e é bastante importante para lidar com as situações e prejuízos causados pelos sintomas.

Melhorar os hábitos de vida, ajustar o sono e realizar atividade física também é terapêutico! – acredito que as medicações ajudam muito, mas são apenas um dos pilares do tratamento, então precisamos associar as outras coisas!

O tratamento do TDAH envolve medidas farmacológicas e hábitos de vida.

Como funciona o tratamento do TDAH com os remédios?

O tratamento com medicações tem como objetivo melhorar a qualidade de vida e o rendimento do paciente no trabalho, estudos e na rotina. Os pacientes costumam referir uma grande satisfação com o tratamento.

A base do tratamento é regular melhor aqueles neurotransmissores relacionados com a atenção e concentração: noradrenalina e dopamina.

Para isso, existem os psicoestimulantes, que fazem o papel de aumentar a disponibilidade dessas substâncias no cérebro. Existem vários no mercado, cada um com uma tecnologia que aumenta essa disponibilidade de maneira mais breve ou mais prolongada.

São medicações com tarja preta e necessitam de receita especial (amarela) por conta do potencial de dependência e abuso.

Esse risco existe principalmente quando as pessoas utilizam esses medicamentos por conta própria e sem acompanhamento adequado. Um profissional experiente conseguirá prescrever o psicoestimulante com a tecnologia e dose adequada para você, para que esse risco seja mínimo.

Existem outras opções, como por exemplo, alguns antidepressivos que atuam também na regulação desses neurotransmissores. São boas medicações principalmente quando queremos tratar outros diagnósticos ao mesmo tempo que tratamos o TDAH.

Descubra como funciona o tratamento do TDAH.

Como saber qual medicamento é melhor?

Acredito que não exista medicamento melhor ou pior: existe o melhor para aquele paciente, que tem aquela rotina, aquele contexto e aquela condição de saúde. Levo todas essas coisas em consideração na minha consulta para personalizar ao máximo o tratamento do meu paciente.

Se você está em busca de um diagnóstico e tratamento, o primeiro passo é buscar ajuda profissional. É importante avaliar se a falta de concentração é mesmo TDAH ou não é um outro diagnóstico.

Importante citar que a grande maioria dos pacientes com TDAH vão ter outro diagnóstico associado: depressão, ansiedade, dificuldades no sono, transtornos de humor, etc. É bastante importante diagnosticar e tratar essas outras condições para o sucesso do seu tratamento!

Com o tratamento adequado os pacientes conseguem uma excelente resposta, executam melhor suas tarefas e organizam melhor a própria rotina. Caso tenha se identificado, busque ajuda profissional!

O objetivo do tratamento o TDAH é uma melhor qualidade de vida e gerenciamento da rotina.

Fonte: https://www.nature.com/articles/s41572-024-00495-0

Quando devo procurar um psiquiatra?/