Dra Samilla Psiquiatra

A ansiedade é uma resposta emocional fisiológica (normal) que ocorre quando estamos com medo ou preocupados. Mas quando é que a ansiedade pode se tornar um problema?

Qual profissional pode ajudar a lidar com a ansiedade?

O psiquiatra é um dos profissionais capacitados para auxiliar pacientes com ansiedade, pois está apto a oferecer informação adequada sobre o quadro (que chamamos de psicoeducação) e também tratamentos eficazes e com respaldo científico (que podem envolver medicamentos ou não).

Dra. Samilla Sousa é Médica Psiquiatra com vasta experiência em saúde mental. Ela já auxiliou pacientes com quadros ansiosos dos mais leves aos mais graves.

Tanto pacientes em contexto de emergência, internamento psiquiátrico, consultório e até mesmo em psicoterapia foram ajudados por Dra. Samilla, e contaram com acolhimento, informação adequada e plano terapêutico individualizado com base nas mais atuais evidências científicas.

Nos dias de hoje ela atua em seu consultório particular em Salvador (BA) e por telemedicina para todo o Brasil e compartilha seus conhecimentos como professora da Faculdade de Medicina Zarns e também como preceptora da Pós-Graduação de Psiquiatria da Afya.

Acredita na informação acessível baseada em ciência como um dos pilares dos tratamentos de seus pacientes e por isso escreve artigos para o site Dra. Samilla Psiquiatra.

O psiquiatra é o profissional adequado para manejar a ansiedade patológica.

O que é ansiedade?

A ansiedade é uma reação emocional que ocorre quando existe medo ou preocupação.

Essa reação é esperada, normal, ou seja, fisiológica. Costumo dizer que a ansiedade foi – e segue sendo – importantíssima para a espécie humana. Do contrário ela não existiria até hoje!

Isso porque a ansiedade é um “disparo de alerta” para que possamos nos preparar para uma situação que coloca nos coloca em risco de vida.

A partir desse disparo, o nosso corpo libera uma alta quantidade de adrenalina e isso nos deixa prontos para lutar ou fugir do perigo – a chamada reação de luta ou fuga.

Imagine a época das cavernas, quando precisávamos estar sempre alertas aos perigos: sentir medo e preocupação liberava a descarga de adrenalina necessária para lutar contra os predadores ou fugir correndo!

Certamente, os homens das cavernas que não tinham um disparo tão efetivo – ou que não sentiam tanta ansiedade – estavam mais vulneráveis a virar comida de predadores!

A ansiedade foi e é importante para a sobrevivência humana!

A ansiedade pode se tornar um problema?

Sim! Até aqui você provavelmente já entendeu que a ansiedade é o “disparo de alerta” importante para nos proteger de situações ameaçadoras, certo?

Agora imagine se esse disparo começar a aparecer com muita frequência, mesmo quando não existe o tigre – ou situação ameaçadora nenhuma?

Ou que, esse disparo se torna tão intenso que ao invés de fugir ou lutar, você apenas paralisa – congela – e não consegue tomar uma decisão para se proteger melhor?

Nesses casos temos a ansiedade patológica, que sai do limite do habitual e que, ao invés de nos ajudar, nos prejudica, e por isso, se torna um Transtorno de Ansiedade.

O que pode causar a ansiedade?

Transtornos mentais costumam ser multifatoriais, ou seja, não existe uma causa específica, mas sim um conjunto de fatores que levam ao aparecimento dos sintomas. Com a ansiedade não é diferente.

Fatores genéticos, história familiar e rotina estressante podem aumentar o risco de desenvolver sintomas ansiosos.

Além disso, uso de substâncias psicoativas e também algumas doenças físicas (como problemas da tireoide) podem causar , agravar ou até mesmo simular um transtorno de ansiedade.

A ansiedade tem causa multifatorial.

Quais os tipos de Transtorno de Ansiedade?

São vários os tipos de Transtorno de Ansiedade, entre os mais comuns:

  • Transtorno de Ansiedade Generalizada
  • Transtorno do Pânico
  • Fobias e medos excessivos (avião, elevador, escuro, altura, lugares cheios…)
  • Ansiedade social ou Timidez Patológica

O transtorno de ansiedade generalizada é o Transtorno mais comum.

As fobias (medos específicos) também são transtornos que causam sintomas de ansiedade.

Quais são os sintomas de um Transtorno de Ansiedade Generalizada?

Os sintomas de um Transtorno de Ansiedade Generalizada estão relacionados com o medo intenso e preocupações excessivas e dificuldades de lidar com esses medos e preocupações de maneira recorrente.

As preocupações são tão intensas, que muitas vezes são desproporcionais e os pacientes têm a tendência de imaginar o pior cenário possível no futuro – o que chamamos de catastrofização.

Isso se torna tão recorrente que o nosso corpo começa a acumular substâncias relacionadas com estresse, o que leva a sobrecarga do nosso corpo e causa sintomas tais como:

  1. Músculos tensos e doloridos
  2. Sensação de estar com “nervos a flor da pele”
  3. Irritabilidade
  4. Cansaço
  5. Dificuldades de foco e concentração
  6. Insônia ou sono ruim

Vários sintomas estão presentes na ansiedade generalizada.

O que é uma crise de ansiedade?

Uma crise de ansiedade é um episódio de descarga de adrenalina intensa, que costuma durar poucos minutos com sensação de pavor absoluto. É o que chamamos de ataque de pânico.

É muito comum no ataque de pânico a sensação de que irá morrer ou passar mal (infartar, ter um derrame, etc.) e é um episódio bastante difícil e desconfortável.

Alguns pacientes também descrevem a sensação de “perder o juízo ou o controle” da situação.

Como existe um pico de adrenalina intensa, os sintomas de medo podem estar associados a:

  • Coração acelerado
  • Músculos tensos e doloridos
  • Respiração ofegante ou difícil
  • Dores no peito
  • Tonturas, calafrios
  • Suor e tremores

Uma crise de ansiedade tem sintomas de pico de adrenalina.

Qual a diferença entre Crise de Ansiedade (Pânico) e Transtorno do Pânico?

As crises de pânico (ou de ansiedade) podem ocorrer com qualquer pessoa, mesmo sem um Transtorno de Ansiedade.

Elas também podem acontecer em pessoas que tem a Ansiedade Generalizada ou diante de gatilhos de Fobia (por exemplo, quando estão diante daquilo que têm mais medo).

Quando as crises ocorrem com muita frequência, mesmo sem nenhum fator precipitante aparente e a pessoa começa a modificar seu comportamento e rotina por medo de ter uma crise, é o que chamamos de Transtorno do Pânico.

As crises de ansiedade são recorrentes no Transtorno do Pânico.

Como a ansiedade é tratada?

Transtornos ansiosos podem ter sintomas e gravidade bastante variável e por isso o tratamento também varia.

Para os casos leves a moderados, pode-se tentar primeiramente a melhora dos hábitos de vida em associação com a psicoterapia, e nesses casos o paciente será acompanhado por um profissional psicólogo.

Existem vários tipos de psicoterapia. Para os transtornos de ansiedade, as melhores evidências científicas apontam para a Terapia Cognitivo Comportamental como a 1ª linha (ou seja, a melhor evidência) de tratamento.

Entretanto, é muito importante valorizar outros aspectos tais como: afinidade com o profissional, experiência do psicólogo, rotina, traços da sua personalidade e sua evolução na psicoterapia. Tão importante quanto o tipo de psicoterapia é a sua curva de melhora com o passar do tempo.

Nos casos de ansiedade moderada a grave, o tratamento com medicamentos se torna uma opção. Na maioria das vezes associamos o remédio com o tratamento psicoterápico para que haja mais eficácia.

Saiba mais sobre o tratamento da ansiedade.

Quais os medicamentos mais utilizados para tratar a ansiedade?

Para o tratamento da ansiedade os medicamentos mais utilizados são os antidepressivos, pois eles atuam em regiões cerebrais relacionadas com medo e preocupações. Isso possibilita um maior conforto do paciente no enfrentamento das situações cotidianas que causam sofrimento e ansiedade.

Nas primeiras duas semanas de uso podem ocorrer efeitos colaterais que precisam ser orientados pelo seu psiquiatra. Lembre-se que os efeitos são diferentes para cada antidepressivo e também para cada paciente, logo, não necessariamente você terá efeitos colaterais.

Importante comentar que os antidepressivos não causam dependência e que o paciente conseguirá perceber melhora dos sintomas ansiosos a partir da 4ª a 6ª semana de uso contínuo.

Os antidepressivos são usados para tratar a ansiedade.

Existe remédio para as crises de ansiedade?

Existem casos em que os pacientes precisam de alguma medicação para as crises de ansiedade ou de “conforto” e por isso podem ser optadas por outras classes de medicações para aliviar os sintomas até o momento em que o antidepressivo fará seu efeito.

Essas medicações de “conforto” ou de uso durante as crises são importantes, mas não é boa prática deixá-las por muito tempo, pois elas sim costumam ter risco de dependência (diferente dos antidepressivos).

Sempre digo aos meus pacientes que se a necessidade de um medicamento de alívio está sendo muito frequente, é porque o seu tratamento de base (antidepressivo) ainda não está ajustado.

Existem diferenças no tratamento da ansiedade generalizada e das crises de ansiedade.

Quanto tempo dura o tratamento com medicação?

O objetivo do tratamento é que o paciente não tenha mais sintomas. Não basta apenas “melhorar”, mas sim que o paciente volte a funcionar, trabalhar e ter a performance de antes de adoecer.

Os primeiros meses costumam ser de ajuste de dose do antidepressivo, até que o paciente chegue nesse patamar de funcionamento e não precise (ou precise muito esporadicamente) de medicamentos de alívio.

A partir da dose que deixa o paciente totalmente bem, começamos a fase de manutenção: o remédio precisa continuar por um tempo, para evitar recaídas.

Esse tempo varia entre 6 meses a 1 ano após a melhora total – e não após o início da medicação. Casos muito específicos podem requerer uso continuado dos medicamentos.

A retirada e desmame precisam ser acompanhados por psiquiatra e pessoalmente costumo individualizar o tempo de tratamento considerando, além das evidências científicas, a rotina e necessidades do meu paciente.

O tratamento da ansiedade é bastante individualizado.

3 dicas para lidar com a ansiedade

1. Mantenha uma rotina organizada com bons hábitos

Tenha uma agenda para organizar compromissos importantes e aprenda a delegar tarefas para não se sobrecarregar.

Lembre-se que ter hora fixa para acordar e dormir, realizar a chamada higiene do sono e desconectar das redes sociais deve ser algo inegociável!

Estabeleça horários para lazer, tempo livre e exercícios físicos. Trate essas atividades como compromissos com você mesmo(a) que não podem ser substituídos.

Uma rotina organizada pode te ajudar a lidar com a ansiedade.


2. Evite o uso de bebidas ou entorpecentes

Momentaneamente podem trazer alívio da ansiedade, porém podem piorar os sintomas ansiosos nos dias seguintes.

Além disso, o seu cérebro pode utilizar a substância como um “tratamento paliativo”, o que se torna arriscado: ele pode querê-la como algo necessário para lidar com a ansiedade.

Isso pode aumentar o risco de uso problemático de substâncias e até mesmo de dependência química.

Substâncias entorpecentes podem piorar a ansiedade.

3. Treine sua respiração

Em momentos que pedem o relaxamento, respirar adequadamente é uma boa estratégia.

O objetivo é levar o oxigênio para o sistema nervoso e para os nossos outros órgãos, além de promover pausas necessárias para lidar com situações estressantes.

A respiração diafragmática é uma tática utilizada nos momentos de maior ansiedade e até mesmo nas crises. Sugiro que você treine ao acordar ou antes de dormir para que tenha cada vez mais habilidade!

Para isso, siga os passos a seguir:

  1. Deite-se ou sente-se e coloque uma mão no tórax e outra no seu umbigo.
  2. Puxe o ar pelo nariz e encha os pulmões ao mesmo tempo que “empurra” a mão que está em sua barriga.
  3. Pause por 3 a 5 segundos nessa posição
  4. Sopre o ar devagar pela boca, esvazie o pulmão e perceba que a mão que está em seu abdome se aproxima de você.
  5. Repita quantas vezes precisar!

Quando devo procurar ajuda profissional?

Já escrevi um post específico sobre quando procurar um psiquiatra, e quando se fala de ansiedade o melhor parâmetro de necessidade de buscar auxílio é você mesmo(a) e os prejuízos que você vem percebendo nos aspectos importantes da sua vida (profissional, pessoal, etc.)

Caso observe que, mesmo com as mudanças de hábitos de vida, rotina de exercícios e tentativa de melhor organização da sua rotina você tem tido malefícios no seu trabalho, estudos e relações interpessoais, não hesite em procurar um profissional experiente para te auxiliar.

A ansiedade tem tratamento e a sua saúde mental é uma prioridade. Buscar ajuda não é sinal de fraqueza, mas sim de cuidado consigo! Você merece viver de maneira plena e sem tanto sofrimento!

A ansiedade tem tratamento.

Fonte:

Diretriz de tratamento da Ansiedade Generalizada, Fobia Social e Transtorno do Pânico – 2018

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