Dra Samilla Psiquiatra

Sentir-se triste, com desânimo e ter momentos de choro faz parte da vida. Como diferenciar de uma depressão? Descubra nesse post.

Saiba mais a diferença de tristeza e depressão.

Qual o profissional trata a depressão?

Dra. Samilla é médica psiquiatra em Salvador com foco no diagnóstico e tratamento da depressão e de outros transtornos com base na ciência, ética e acolhimento dos seus pacientes.

Ao longo dos 03 anos da sua residência médica obteve experiência em diversos tipos e gravidades de depressão: do consultório ao internamento psiquiátrico, em diversas idades e contextos.

Seu trabalho busca personalização e precisão no tratamento de seus pacientes, de modo que sua performance e funcionamento se mantenham. Afinal, viver não cabe num diagnóstico!

O psiquiatra é o profissional capacitado para tratar a depressão.

Depressão é o mesmo que tristeza?

Não! Tristeza é uma emoção humana bastante valiosa enquanto que a depressão é um adoecimento mental que pode trazer muitos prejuízos.

A depressão é diferente de uma tristeza.

Qual a função da tristeza?

Certamente você já passou por momentos difíceis, se despediu de alguém que amava, cometeu erros que se arrependeu, se magoou com uma pessoa que gosta muito…

De fato, essas e outras situações nos levam a sentir emoções desconfortáveis, entre elas a tristeza. Apesar de desconfortável, é uma emoção tão necessária quanto todas as outras.

A função da tristeza é nos fazer pensar que perdemos algo ou alguém que significava muito. É um sinalizador de coisas valorosas para nós e de que precisamos de uma pausa para lidar com o vazio que essa perda nos deixou.

Apenas ao reconhecer o que perdemos é que conseguimos ressignificar essa saudade e/ou essa perda. O choro pode ser uma das estratégias que nossa mente utiliza para processar esse momento difícil.

A medida que elaboramos e processamos essa situação, vamos retomando a nossa rotina, estudos, trabalho e relação com as pessoas. Quando a pessoa passa a ter depressão, essa retomada pode ser bastante difícil.

Qual a diferença da tristeza e da depressão?

O que é depressão?

A depressão é um transtorno de humor em que, além da tristeza, vários outros sintomas estão envolvidos.

Esses sintomas precisam ocorrer por um período maior que 2 semanas, prevalecer ao longo do dia e impactos negativos para as várias dimensões da vida da pessoa (trabalho, estudo, relações…).

O que é depressão?

Quais os sintomas da depressão?

Os principais sintomas da depressão são:

  • Tristeza duradoura
  • Falta de prazer ou perda de interesse nas atividades
  • Diminuição da concentração
  • Sono excessivo ou insônia
  • Mudanças no apetite
  • Cansaço ou fadiga persistentes
  • Sentimentos de culpa e inutilidade
  • Ideias de desesperança extrema – que podem colocar o paciente em risco de vida

Além desses sintomas, em alguns casos podem existir dificuldade em diferenciar o que é realidade e o que não é, alucinações e delírios. É o que chamamos de depressão psicótica, episódio bastante grave que necessita de um psiquiatra experiente.

Saiba mais quais os sintomas da depressão.

Quais são as causas da depressão?

A depressão é um transtorno psiquiátrico que é multifatorial, ou seja, não existe uma causa definida, mas uma combinação de fatores de risco que somados fazem a doença surgir.

Entre esses fatores estão: genética, história familiar de depressão, episódios anteriores na vida, traços da personalidade, doenças que trazem inflamação e dores crônicas entre outros.

É sempre importante verificar as condições de saúde de um paciente que chega com queixas de depressão: a deficiência de algumas vitaminas, minerais e problemas hormonais (como da tireoide por exemplo) podem simular ou agravar um quadro depressivo.

A depressão é um transtorno multifatorial.

Quais são os tipos de depressão?

Quando falamos de depressão, estamos falando de um conjunto de sintomas que podem ocorrer em vários diagnósticos! Os mais comuns são:

  • Transtorno Depressivo Maior ou Depressão Maior
  • Depressão Pós-parto
  • Distimia ou Transtorno Depressivo Persistente
  • Depressão Bipolar

Apesar de diagnósticos diferentes, os sintomas podem ser praticamente idênticos. Por isso, buscar um psiquiatra experiente e capacitado é fundamental para um diagnóstico preciso e um tratamento eficaz com as melhores evidências científicas.

Existem vários tipos de depressão.

O que é uma depressão pós-parto?

Uma depressão pós-parto é aquela que surge após o parto, período que também podemos chamar de puerpério.

O puerpério é um momento delicado pois existem vários aspectos acontecendo com essa mulher: uma maternidade, a adaptação à uma nova rotina, a recuperação do parto, as variações hormonais, aprendizagem de amamentar, noites em claro para acolher a criança, etc.

Por isso, é comum em várias mulheres um período de adaptação com irritabilidade, alterações do sono e variações de humor. Mas a partir de 04 semanas do parto, a curva precisa ser de melhora desses sintomas.

Nos casos em que os sintomas persistem, com prejuízos para o bem estar dessa nova mãe e até mesmo para os cuidados de seu bebê – o que pode acontecer nos casos mais graves -, começamos a desconfiar da depressão pós-parto (ou puerperal).

É preciso um profissional bastante capacitado para compreender o que é sintoma de uma adaptação a uma situação única (como é o caso de uma maternidade) de um quadro de humor que traz tanto sofrimento para mãe e nenê.

Conheça mais sobre a depressão pós-parto.

O que é uma distimia?

Uma distimia – também chamada de Transtorno Depressivo Persistente é um transtorno de humor em que existe uma depressão crônica e com sintomas leves a moderados.

Os sintomas que mais chamam a atenção são a irritabilidade e desânimo crônicos por pelo menos 02 anos seguidos. O paciente não passa mais de 02 meses sem apresentar os sintomas.

Apesar de serem leves, não significa que os pacientes não tenham danos: as relações ficam muito prejudicadas, inclusive a relação da pessoa com ela mesma, pois existe constantemente a sensação de incapacidade e de baixa autoestima.

A pessoa com distimia tem sintomas de depressão com muita irritabilidade.

O que é uma depressão bipolar?

Uma depressão bipolar é um episódio de humor deprimido que faz parte de um outro diagnóstico psiquiátrico: o Transtorno Bipolar.

No Transtorno Bipolar, além de episódios de depressão, o paciente pode apresentar episódios de humor no polo oposto em algum momento de sua vida. É um transtorno que está relacionado com fases de humor deprimido e de humor eufórico – esse último chamamos de mania ou hipomania.

Ou seja, ao invés de se sentir sem energia, existe um excesso de energia. Ao invés de insônia, existe uma necessidade de sono diminuída – a pessoa dorme menos e acorda restaurada. Ao invés de tristeza, existe uma alegria e autoestima nas alturas!

Saiba o que é uma depressão bipolar.

Quanto tempo duram essas fases de humor eufórico?

As fases de humor eufórico não duram apenas um turno ou um dia: precisam durar pelo menos 04 dias no caso da hipomania, ou 07 dias no caso da mania, que é uma euforia mais grave e mais percebida pelas pessoas ao redor.

Pode parecer bom se sentir tão bem, mas por se tratar de um Transtorno, a Bipolaridade traz muitos prejuízos: a pessoa pode se sentir muito poderosa e perde a noção de riscos.

Por exemplo: o paciente começa a dirigir em alta velocidade, gastar sem limites e agir com maior impulsividade. Desse modo, o humor começa a repercutir de maneira negativa nas relações familiares e de trabalho.

O paciente bipolar pode ter episódios de depressão e também de mania/euforia, que pode levá-lo a comportamentos de risco.

Como é o tratamento da Depressão Maior?

A Depressão Maior é a mais comum de todas, e é aquela em que o paciente apresenta um episódio clássico de humor deprimido. Por isso, vamos detalhar esse tratamento por aqui.

O tratamento da depressão varia conforme o seu tipo, a gravidade, o risco para a vida do paciente e a presença ou não de sintomas psicóticos.

Depressões leves a moderadas podem ser tratadas com psicoterapia e exercícios físicos associada a boas rotinas de sono e alimentação balanceada. É interessante que o paciente esteja em acompanhamento para observar a sua evolução.

Casos leves que não tiveram resolução completa e casos mais graves necessitam da associação do remédio à psicoterapia.

Descubra como é feito o tratamento da depressão maior.

Quais remédios tratam a depressão?

Os medicamentos utilizados no tratamento da depressão são os antidepressivos. Existem vários tipos de antidepressivos no mercado, cada um com um mecanismo de ação diferente.

O objetivo dos antidepressivos é estabilizar a quantidade de substâncias mensageiras do cérebro (chamadas de neurotransmissores), pois na depressão, essas substâncias costumam estar desreguladas.

São os neurotransmissores os principais responsáveis pela sensação de bem estar, iniciativa das atividades, prazer e energia. Estabilizá-los é o que combate os sintomas da depressão.

Entre as classes mais utilizadas de antidepressivos estão os Inibidores de Recaptação de Serotonina (ISRS) e os Inibidores de Recaptação da Serotonina e Noradrenalina (IRSN), também chamados de duais.

Existem antidepressivos que atuam em vários circuitos cerebrais ao mesmo tempo, que chamamos multimodais.

Com tantas classes existentes é importante um conhecimento extenso do funcionamento dos medicamentos psiquiátricos, bem como a ciência de que cada mecanismo de ação pode auxiliar nos sintomas individuais daquele paciente.

Um psiquiatra experiente certamente poderá personalizar seu tratamento e te ajudar a se recuperar!

Saiba mais sobre o tratamento da depressão.

O tratamento com remédios varia de acordo com o tipo de depressão ?

Na depressão pós-parto é necessário um grande conhecimento da relação mãe e bebê e dos medicamentos que podem ser utilizados enquanto essa mulher amamenta, se esse for o caso. Afinal, o medicamento pode passar para a criança.

No caso da Depressão persistente, também temos estudos específicos de algumas medicações que possuem melhor resultado e evidência científica, tanto da classe dos antidepressivos, quanto dos antipsicóticos.

A Depressão Bipolar em grande parte das vezes precisa ser tratada com outras classes de medicamentos, visto que a prescrição de antidepressivos não costuma estabilizar o quadro o suficiente. Por isso usamos os estabilizadores de humor.

As depressões que têm sintomas psicóticos são tratadas com os antidepressivos associados de medicações que auxiliam na organização do juízo de realidade – os antipsicóticos.

Existe diferença no tratamento da depressão grave?

Sabemos que o sofrimento do paciente deprimido é de fato tão grande que chega a ser incapacitante muitas vezes. Dra. Samilla costuma dizer que na depressão existe uma névoa que nos traz muita dificuldade para enxergar a nossa realidade.

Com isso, os pensamentos de desesperança e até de autodestruição podem estar presentes, o que é bastante delicado. Essa queixa precisa ser acolhida com muito cuidado e atenção.

A pessoa com depressão muitas vezes não quer mais viver devido a essa sensação de dor insuportável e contínua, que aparentemente não tem solução. Mas compreenda que existe sim uma forma de aliviar essa dor: o tratamento pode te ajudar muito!

Saiba mais sobre o tratamento da depressão grave.

O que fazer nos casos de depressão grave?

Se você ou um familiar estão passando por isso, tente pensar que os pensamentos de desesperança são sintomas. Assim como pessoas com enxaqueca podem sentir dor de cabeça, pessoas com depressão podem ter esses pensamentos.

Não é sobre fraqueza, sobre caráter, sobre fé… é um sintoma! De um problema de saúde que tem tratamento! É essencial buscar ajuda com profissionais experientes e capacitados em quadros graves. Não hesite em priorizar sua saúde mental!

Muitas vezes precisamos intensificar a psicoterapia e fazer um acompanhamento psiquiátrico mais intensivo para avaliar a necessidade de ajustes mais frequentes nas medicações.

A depender do risco para a vida do paciente e da perda de noção da realidade, precisamos de ajuda dos familiares para manter o paciente seguro durante o período mais crítico, enquanto o tratamento é ajustado.

Dra Samilla costuma agendar reuniões para abordar os familiares de seus pacientes nesses casos e o resultado é uma construção de uma rede de apoio mais segura, compreensiva e eficaz para o paciente.

Uma boa rede de apoio é fundamental numa depressão grave.

Quanto tempo dura o tratamento da depressão?

Habitualmente o tratamento dura entre 06 meses a 02 anos, e depois é realizado o desmame gradual, sempre com monitoramento para evitar a chance de recaídas.

É preciso considerar a ocorrência de episódios anteriores de depressão na vida do paciente, ou de recaídas sucessivas quando o tratamento é suspenso. Em ambos os casos, a chance de deprimir novamente aumenta a partir do momento que o tratamento for interrompido.

De modo muito personalizado podemos discutir o custo-benefício das medicações e compartilhar as responsabilidades do tratamento, sempre com respaldo científico, mas levando em conta as necessidades do paciente.

Dessa forma, podemos decidir pelo tratamento contínuo ou não.

Saiba mais sobre o tratamento da depressão.

Se eu fizer o tratamento contínuo, vou ficar dependente de remédios?

Entenda que nos casos de tratamento continuado da depressão, não há uma “dependência do remédio”.

Um paciente que tem várias crises de depressão recorrente tem uma doença crônica, que assim como a hipertensão e diabetes, e por isso precisa de tratamento também crônico e sem interrupção.

Nesses casos, o antidepressivo atua de modo preventivo, pois evita que o paciente tenha novas crises e danos por causa da doença. É o mesmo raciocínio com o hipertenso que está com a pressão arterial controlada pela medicação!

O tratamento da depressão às vezes é crônico.

É possível vencer a depressão?

Sim! Com o acompanhamento adequado, individualizado e que leva em consideração sua rotina e necessidades, o seu tratamento pode ser um caminho mais suave até a sua recuperação.

Conte com uma rede de familiares e profissionais que conseguem te acolher e dedicar tempo para escutar suas dificuldades.

Coloque pequenas metas – possíveis – de mudanças de estilo de vida, uma por vez, aos poucos. Comemorar as pequenas vitórias – que não são pequenas – faz parte desse processo.

Lembre-se de que saúde mental também é saúde. Assim como se recuperar de uma perna quebrada leva um tempo, se levantar de um episódio de humor deprimido também requer paciência e constância.

Caso você identifique com algum desses sintomas do artigo ou tem se sentido diferente, com menor rendimento no trabalho e estudos – e nos relacionamentos! – procure ajuda profissional! Você merece priorizar a si!

É possível vencer a depressão.

Fonte:

Diretriz da Rede Canadense para Tratamento dos Transtornos de Humor e Ansiedade – 2016

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